Transcrição de Bate-Papo LEAD: A natureza selvagem e a Vida Digital
Selvagem e Natural: Para além do “Gerativo / Emergente” e
"Locativo /Performativo" por
Clique aqui para fazer download da versão pdf.
Também disponível em Inglês.
por Marcus Bastos
Professor of Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq / Net Arte: Persepctivas Críticas e
Criativas
São Paulo, SP
bastos.marcus [@] gmail [dot] com [dot]
http://www.yougenics.net/griffis/
e Ryan Griffis
Associate Professor, New Media
School of Art & Design
University of Illinois, Urbana-Champaign
ryan.griffis [at] gmail [dot] com
http://www.yougenics.net/griffis
Os “Debates Leonardo Electronic Almanac” (LEAD) acompanham Edições Especiais selecionadas. O LEAD tem dois componentes. Bate-papos ao vivo com autores/artistas e uma lista de discussão moderada para os leitores se envolverem com os autores.
Editada por Dene Grigar e Sue Thomas, a edição conta com Peter Hasdell, Tara Rodgers, Dave Burraston, Andrew Martin, Jennifer Willet, Adam Gussow, Dr Kathryn Yusoff, Jeremy Hight e Brett Stalbaum. Os ensaios estão acompanhados de uma pequena mas poderosa galeria, que exibe trabalhos de Karl Grimes, Elisa Giaccardi, Hal Eden e Gianluca Sabena.
Há uma série de abordagens diferentes ao tópico “A Natureza Selvagem e
a Vida Digital”, e elas
não estão necessariamente tão ligadas aos temas propostos nos editoriais
que introduzem esta edição especial temática do LEA quando seria
possível supor. Como foi discutido no bate-papo com Sue Thomas e Giselle Beiguelman, dividir a edição em uma sessão dedicada a “O Emergente e o Gerativo na Natureza” e outra dedicada ao “Locativo e Performativo” foi uma opção que reflete de maneira eficiente o material publicado, mesmo que os temas se sobreponham e entrelaçem aqui e ali.
Ler a série temática de bate-papos ao vivo com os autores e artistas da edição especial nos permite pensar um pouco adiante sobre o tópico, ao complementar, questionar e debater alguns de seus limites estabelecidos. Também fornece algumas pistas sobre os trabalhos na galeria da edição – especialmente no quarto bate-papo da série, em que os trabalhos publicados na galeria foram discutidos, e brevemente contextualizados do no âmbito de um cenário de atenção crescente aos temas ligado as mídias locativas.
Uma das aproximações possíveis ao material (não necessariamente a primeira) está relacionada com o debate sobre como o próprio conceito de natureza está mudando por causa da tecnologia — o que, de certa forma, dá mais amplitude à idéia de que a humanidade está se tornando “póstuma”, em uma época da história em que é possível “re”-codificar estruturas de DNA e implantar um número razoável de equipamento dentro do corpo humano (ou incrustado no espaço físico). Isto está refletido na descrição de novas formas de percepção e novas maneiras de representar dados, conforme introduzidas por Brett Stalbaum e Kathryn Yusoff no primeiro bate-papo da série, mas também por Jennifer Willet, no terceiro.
Outra abordagem seria refletir sobre os fenômenos que podem ser descritos como usos humanos das máquinas. Estes fenômenos não estão restritos ao uso de tecnologias GIS na cultura contemporânea, mas foram introduzidos desta perspectiva, especialmente no contexto de um entendimento de como tais tecnologias funcionam como ferramentas para abrir novas possibilidades para descrever a natureza (seja prever desastres naturais, ou representar dados por meio de imagens, sons, etc).
Este exercício de aproximação do material publicado na edição “digiwild” do LEA de formas que vão além da perspectiva inicial de organização temática da edição não pretende questionar a pertinência de tópicos como “O Emergente e o Gerativo na Natureza” e “Locativo e Performativo” (que parecem ser flexíveis e descritivos, ao invés de fixos e normativos). Tem antes o objetivo de buscar um eixo que coloca a questão do selvagem e do digital (e do selvagem no digital, conforme levantado em algumas mensagens enviadas à lista de discussão) em uma perspectiva que vai além do pressuposto de que natureza e tecnologia não se sobrepõem.
Isto esta, de fato, bastante explícito no conjunto de questões que
estimulou os artigos e trabalhos de arte publicados na edição, o que
permite inferir que delinear a discussão em torno de “Natureza Selvagem
e Vida Digital” nos tópicos mencionados não passa de uma decisão
pedagógica / editorial consciente de seus limites." Como Dene Grigar afirmou no segundo bate-papo da série: “Eu não leio do “e” como binário em nosso título, mas como o “e” do mev de Grego — ambos/e. A idéia de que natureza selvagem e vida digital podem ser vistas juntas e separadas oferecendo espaços interessantes de divisão e intersecção.”
Uma palavra-chave para entender esta distinção foi trazida por Brett Staulbam e Kathryn Yusoff, assim como na lista por Roger Malina, entre outros: escala. É mais fácil entender os limites do corpo, então podemos argumentar que numa certa escala de percepção, os humanos tendem a tomar seu corpo como uma fronteira, do que seria razoável inferir que natureza é tudo o que está fora desta fronteira (fora do corpo e, numa abordagem mais
abstrata, fora de uma cultura). Mas, há escalas mais amplas(o furacão Katrina que atingiu a Costa do Golfo dos EUA em 2006 ou a recente cratera durante a construção da nova linha de metrô em São Paulo, mas também os padrões de migração estabelecidos por um certo grupo de borboletas) e há escalas menores (DNA, por exemplo, mas também o código e a síntese).
Escala, e os limites de suas definições, da mesma forma revelam que a oposição “senso comum” entre “cultura” e “natureza” é um dos graus que podem ser medidos, senão quantitivamente, então ideologicamente. Da mesma forma, nossa distância da tecnologia, tratada como um meio separado do “humano”, é medida, conforme a contribuição de Adam Gussow para a edição, pela pergunta “quanto longe da grade é longe demais?" Em
certo sentido, esta grade representa o “conhecido” na cultura Ocidental
por séculos. E sempre houve um mundo oposto que existe “fora da grade” -
seja ele composto de monstros do mar, alienígenas, matéria negra, ou
psicoses humanas.
Esta edição especial do LEA, a séries de bate-papos, e a lista de
discussão, fornecem outra plataforma de onde considerar o relacionamento entre a grade e os espaços sobre os quais ela está colocada. A questão se torna de ordenamento e reconhecimento – não olhar para uma paisagem desprovido das lentes da cultura e da tecnologia, mas tentar entender como as mediações que criamos e usamos definem nosso relacionamento com os outros (humanos e inumanos). Então podemos começar a perguntar como estas mediações podem ser diferentes e, portanto encorajar diferentes, mais justas formas de relacionamento.
Biografias dos Autores
Marcus Bastos/ é Doutor em Comunicação e Semiótica e Professor da
PUC-SP. Seus projetos mais recentes são o vídeo interativo "Interface
Disforme" e uma série de banners para internet e vídeos para painél
eletrônicos desenvolvidos no contexto do projeto "Calhau"
(http://netart.incubadora.fapesp.br/portal_en/Members/filler/index_html/).
Ele é editor da revista online /Arte.Mov/ <http://www.artemov.net/>) e
coordena o Grupo de Pesquisa CNPq /Net Art: Perspectivas Criativas e
Críticas (http://netart.incubadora.fapesp.br/portal).
Ryan Griffis é artista e, às vezes, escritor, curador e guia de turismo amador. Ele escreve regularmente resenhas para a revista ArtUS e escreveu para o Rhizome.org, New Art Examiner e
vários outros fanzines e periódicos. A prática artística de Ryan está centrada em torno de um interesse no potencial crítico do turismo e na agência de turismo quase ficctícia chamada Escritório de Viagens
Temporário. Seus projetos curatoriais incluem YOUGenics, uma exposição que explora as implicações sociais das tecnologias genéticas e, mais recentemente, Under Fire, uma exposição organizada em torno das
discussões multidisciplinares e colaborativas sobre a violência feitas pelo artista Jordan Crandall. Ele atualmente ensina Arte e Design na University de Illinois, Urbana-Champaign. http://www.yougenics.net/griffis/

Referência para citação desta Transcrição de Bate-Papos dos Debates
Leonardo Electronic Almanac
MLA Style
Bastos, Marcus and Griffis, Ryan. “Selvagem e Natural: Para além do “Gerativo / Emergente” e
"Locativo /Performativo" por”, “Unyazi” Edição Especial, Leonardo Electronic Almanac Vol. 15, No. 1 - 2 (2007). 1 Jan. 2007 <http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/mbastosrgriffispt.asp>.
APA Style
Bastos, M and Griffis, R. (Jan. 2007) “Selvagem e Natural: Para além do “Gerativo / Emergente” e "Locativo /Performativo" por “Unyazi” Edição Especial, Leonardo Electronic Almanac Vol 15, No. 1 - 2 (2007). Visitado em 1 Jan. 2007 no endereço <http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/mbastosrgriffispt.asp>
|