LEAD: A Natureza Selvagem e a Vida Digital
ao vivo com Jeremy Hight
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Também disponível em Inglês..
Ver o ensaio de Jeremy Hight: “Views From Above: Locative Narrative and the Landscape”
(LEA Vol 14 No 07 - 08 2006)
Os "Debates Leonardo Electronic Almanac" (LEAD) acompanham edições especiais selecionadas do LEA. Os LEAD tem dois componentes,uma seção de bate-papo ao vivo com autores e artistas do LEA e um grupo de discussão moderado em que os leitores podem se envolver com os autores da edição especial.
A seguir, versão não-editada de transcrição da sessão de bate-papo realizado na quarta-feira, 7 de Fevereiro, com o artista locative e novas mídias Jeremy Hight, parte do debate online sobre a edição especial do Leonardo Electronic Almanac A Natureza Selvagem e a Vida Digital<Marcus Bastos e Ryan Griffis>
<TRANSCRIÇÃO>
Ryan Griffis: Obrigado Jeremy por nos acompanhar no último chat desta série, e bem-vindo. Eu tenho uma pergunta inicial para disparar a conversa...
Você fala (em sua contribuição para esta edição do LEA) sobre os possíveis relacionamentos entre mídia locativa e narrativa, especialmente por meio do conceito de arqueologia narrativa, e do “revelar” de artefatos de outra forma “invisíveis”... em relação a questões que surgiram nesta edição e nos outros bate-papos (e na lista), como você pensa a problemática das “declarações de verdade” em como elas se relacionam com a tecnologia e o potencial da narrativa de re-emoldurar nossa experiência e mesmo nosso relacionamento com o espaço e aqueles que o ocupam? Talvez um pouco vago... mas, quem sabe isso faz sentido?
Jeremy Hight: Faz sentido.
Em meus ensaios e trabalhos eu faço questão de separar “informação” de “narrativa”, e de falar das gradações entre uma e outra. Tem sempre o paradigma Wikipedia, mesmo na história tradicional, dependendo de qual acadêmico é tomado como referência na história mais teórica (do que pode-se inferir das informações incompletas).
Há, de um lado do espectro a informação pura (tão pura quanto for possível semioticamente, claro) e, no outro lado a narrativização interpretiva. A esperança, para mim, é que com o tempo possam surgir espaços com vários projetos diferentes neles, assim como várias formas de trabalho com mídia locativa e “narrativa”... sendo narrativização mais no sentido Bartheana de mudança e análise, se equiparando aos vitrais, etc...
RG: Isto me lembra da questão sobre a "matéria negra" que surgiu na lista de discussão (através do Roger, eu acho)... fica difícil para mim diferenciar entre a "matéria negra" como construção narrativa versus informação observável... e porque o posicionamento de Latour da "informação" como envelhecida em relação com sua descoberta lingúística é interessante para mim (assim como sua noção de arqueologia "narrativa").
Marcus Bastos: O que você quer dizer com isso? (com "equiparando a narrativa ao vitrais")... não muito familiarizado com Barthes aqui.
JH: O espaço está lá para a história, para a ciência, para a matemática... de fato, há um capítulo de livro, que me pediram para escrever, sobre suas aplicações na educação...
Barthes escreveu sobre um construto narrativo maior, mais amplo, em termos de informação que leva a uma mudança de persepctiva por parte do observador depois da interação... não é com isso que trabalho diretamente, mas é outra area relacionada com o que pode ser “narrative” num sentido mais estrutural, de funcionalidade/processo em que a arqueologia narrativa está basicamente desaterrando as camadas não-vistas no espaço em muitas formas de interação e “leitura” de um espaço.
MB: Este tópico sempre me conduz para a idéia de que as mídias digitias dão visibilidade a este processo, enquanto o impresso é mais mental. Não sei se isto é positivo ou não. O que você acha?
RG: Steven Johnson (em Cultura da Interface) faz uma referência realmente rápida a Wittgenstein, parafraseando um afirmação de que a linguagem é o material das visões-de-mundo (aquilo de que as visões de mundo são literalmente construídas) – então a imprensa não mudou apenas a distribuição de informação mas também todo um sistema de valores... Johnson prossegue discutindo o mesmo impacto em termos de interfaces gráficas com o usuário (como o desktop)...
JH: Certo.....isto depende do uso................para mim é como vr mas integrado na experiência do mundo real como um entidade fundida....aumentada ........em oposição à um conjunto de dados secundários que é experimentado passivamente (ler um livro.....vr googles enquanto ficamos parados).
Eu concordaria com Johnson sobre isso. A mensagem que enviei para a lista falava de como os cientistas descobriram que os recentemente cegos tinham que ver a interface lingüística dos objetos para ver profundidade e conceitos....então nós já estamos plugados desta forma em certo sentido. O futuro próximo em que estou mais interessado é aquele em que será possível vestir óculos simples com pequenos computadores vestíveis (como as maletas dos repórteres ou eventualmente um fone-de-ouvido) com capacidade GPS para navegar tão naturalmente como andar, com ampliação no campo de visão e audição quando desejado.
RG: Tecnologia GIS/GPS, ou melhor sua crescente ubiquidade parece ser algo com um potencial semelhante – de lever as implicações da cartografia para um nível completamente diferente.
JH: Os conceitos de cartografia, história, narrative ou não-narrativo, a leitura do espaço, camadas no tempo, camadas de informação... todos são passíveis de interação numa interface física.
RG: O potencial de "narrativizar" o espaço é algo realmente interessante... tanto no sentido utópico (para mim) mas também num sentido bastante distópico, quando me lembro que o militarismo é sempre ligado à narração do espaço também, mas não é um tipo de narrativa de que quero participar!
JH: Certo. Fomos entrevistados sobre “34 north 118 west” quando a Guerra tinha começado e nos perguntaram se estávamos subvertendo as ferramentas militares intencionalmente para fazer arte política.
RG: Qual foi a resposta?
JH: Tivemos que responder não. Estávamos usando suas ferramentas..........como telefones celulares, vcrs, beepers, a internet, photoshop.....todos inicialmente com propósitos militares.
Estávamos nos apropriando do que estava disponível (o sinal, o sistema, a grade, se você quiser) e usando para o que queríamos.
MB: Li algo interessante sobre isso, não faz muito tempo...
Drew Hemment argumentando que um aspecto do problema é como subvertemos a tecnologia, mas outro é como esta tecnologia é usada e se torna mais e mais parte da cultura, a despeito do fato de que seus usos tenham intenção crítica.
JH: Eu publiquei um artigo e entrevista, "locative dissent ", sobre como usar estas tecnolgias mais diretamente, como um novo paradigma para a discordância e o protesto (junto com im,rss e imagens e vídeos de telefones celulares, ou you tube e flickr..)
MB: Qual a URL do artigo que você mencionou? É o do Sarai Reader?
JH: Isto mesmo. Eu deveria dar uma palestra numa conferência que eu não vou nomear. Eu não pude ir mas vi para meu horror (mas não surpresa) que alguns Doutores tinha escrito um artigo sobre “locative” que era pura vigilância. Este aspecto das mídias locativas é um estranho loop. Um loop perturbador.
Sim....está no Sarai Reader e na entrevista em cont3xt.net.
RG: Você quer dizer que o artigo estava tratando as ML como vigilância inerente – quer dizer, reduzimos simplismente à vigilância?
JH: sim..........em multidões......
RG: ML geralmente são super simplificada, com discusses retóricas.
JH: Todas as idéias de localização vestíveis......botões gps para rastrear seus amigos......o uso do mapeamento..........imagens aéreas....mas para vigilância.......essencialmente controle da multidão.
Parece que há sempre semiótica nas coisas e então algum tipo de versão das coisas próxima de uma “semiótica para iniciantes” estreita. ML não é diferente.
MB: Você pode dar alguns exemplos de projetos “locative” que extrapolam os limites e desafiam o paradigma da vigilância?
(projetos que refletem essa complexidade que você e Ryan estavam expondo antes)
RG: Enquanto gosto de muito do que o Surveillance Camera Players (Brown) escrevem/performam, a simplificação de usar tecnologias de informação como identificadores, como "detetive" (ou seja,. o "Cara") é um pouco fácil demais para mim.
JH: O trabalho de Brett (Stalbaum) com o c5 é sobre mapeamentos alternativos, medidas, dispositivos situacionistas como o grande mura sendo medido.
RG: Seu trabalho colaborativo também encaixa bem Jeremy (os que foram discutidos no ensaio desta edição do LEA).
JH: Diferente.......... Devo dizer que o biomapeamento de Christian Nold's é bem diferente também mas lida com pessoas e mapeamento.....e lida com conceitos antigos de biofeedback de uma maneira nova......e ele escreveu um livro sobre vigilância anos atrás.......a atacando.
ML= pega-pega geográfica, atribuição de tags isto é o curto prazo.....
Começou assim....certo.......mas......
É por isso que estou tão entusiasmado com pontos flutuantes.........Não é apenas um item listado pela agência espacial européia como mídia locativa mas abre todo um novo desvio de paradigma
MB: Você pode explicar um pouco mais?
JH: Perspectiva, escopo, elevação enquanto interagindo......todas estas coisas se impõem......e um tipo de motor de IA para mastigar muitas informações de forma que quanto mais você está no lugar...o ângulo que você vira....a altura em que se encontra .............tudo pode ajustar qual informação tão pura como dados e o trabalho de arte/narrativa interpretiva chega até você.....................as possibilidades no lado da arte e para a ciência são enormes.
Você pode “realmente Ler” um espaço já que ele como que fala com você de maneira mais completa..............interativa......densa em camadas.
Pense na iluminação de palco sobre um rosto............olhando de cima para baixo...............diretamente..............ou do alto........não é igual, mas diferente? Isto não é a interpretação especializada?
RG: Não parece um pouco com algo explorado pelo Tactical Sound Garden: tacticalsoundgarden.net ?
JH: Aplique isso a lugares na cidade e na paisagem....................
Um pouco.........a chave é que haveria mil vezes mais informação do que circula atualmente........e seria uma ferramente para outros projetos utilizarem também....cientistas, arquitetos, historiadores....e outros artistas.......este é o meu objetivo secundário................a chave é o motor IA.......capaz de mastigar desvios de lugar e dizer mais
Mídia locativa continua evoluindo.
Honestamente é como se muito não tivesse mudando tanto quanto eu tinha esperanças que acontece, nos últimos 5 anos....mas isto parece estar mudando
RG: Que tipo de mudanças você esperava – se é possível resumir?
JH: Claro..............uma maior variedade de formas continuando a se dividir................mais uso de informação científica e/ou com historiadores, arquitetos...........mais trabalho eliminando o que chamo de “charada de ringue de boliche”: você atira a bola conforme sua moldura........as coisas se movem......então resetam....
RG: Parece semelhante à sindrome de reinvenção da roda...
JH: A forma de resolver a charada de ringue de boliche é ter pontos engatilhados para disparar informação.....não ser sempre estático.....mudar conforme a duração do tempo em um lugar.....direção.....elevação num ponto.........quando estava desenvolvendo um projeto para Manzanar Naomi Spellman tive um idéia sobre ele ser mais “vivo” pela troca de informação com a hora do dia, como crianças que estivessem brincando em barracas logo de manhã e mais tarde no dia os adultos estivessem fazendo certas coisas.......mais próximo de um sentido vivo do tempo para dar respeito às pessoas que foram forçadas a viver nestas condições.
Também era para mudar de acordo com as estações.....os ventos frios empoeirados................sons ...........em outras épocas do ano não ser ouvido no espaço.
RG: Interessante! Acho que a tensão, para mim, vem da aparentemente insolúvel diferença entre os conceitos de "dados" e "respeito" (para usar este exemplo) - talvez você já tenha pensando sobre isso?
JH: Correto.....dados são frios......máquina.....código...........led.....lcd......hal..............folha de estatística....................a coisa com Manzanar é que o lugar fica do lado de um pequeno (agradável mas pequeno) museu, um símbolo insultuoso da forma como nipo-americanos eram tratados na segunda guerra mundial e naquela era....... marginalizados ..........deslocados ....."outros" e coisas levadas nesta direção..................muita madeira foi extraída para construir uma pequena cidade nos arredores.......é terra rompida como um insulto ulterior enquanto ainda persiste a peregrinação anual como memória .............mas as memórias não seriam mais respeitadas se fossem tratadas com mais respeito, cuidado, há fotos, documentos, vídeos. Documentos ...tudo num museu que estoca artefatos e dados através dos EUA.....Isto poderia trazer de volta o respeito ao que viveram ali e sua memória......pode have indignidade no solo às vezes...se for uma manifestação física da ferida.
Espaços foram feitos para serem “lidos” e as mídias locativas apenas tatearam um pequno incremento deste potencial positivo e dos muitos usos tanto como uma forma de arte quanto como ferramenta de informação e apreciação dos espaços da terra, sejam eles cidades ou terra abertas.
O campo é jovem.....cresce.....vai ser interessante ver como ele se desenvolve.... Eu abordo isto com um pano-de-fundo da narrativa, mas também da matemática, da ciência, um amor pela história........outros podem trazer suas fascinações em muitas facetas.
RG: Obrigado, Jeremy, mais uma vez pelo bate-papo (desculpe se estou te cortando – é tão difícil saber o que está acontecendo quando não estamos vendo as pessoas!) e desculpe pelos problemas iniciais para programar este encontro.
JH: Obrigado....claro........feliz que você tenha conseguido.....gostei....
<fim da transcrição>
Biografias dos Autores
Jeremy Hight is a locative media and new media artist/writer/theorist. He collaborated on the early locative narrative project "34 north 118 west". His essay “Narrative Archaeology” http://www.xcp.bfn.org/hight.html is studied in several universities as a resource on locative narrative and space. He collaborated most recently on the landscape data edited project Carrizo Parkfield Diaries. The diaries are archived in the Whitney Museum Artport. He recently co-curated the online new media exhibition Binary Katwalk (binarykatwalk.net). He is working on two large-scale locative media projects that look to push into new areas both in physical space and in functionality. He currently has a project shortlisted for possible development with the European Space Agency and as a form of locative narrative utilizing the European Space Station and points above the earth. Hight is currently editing a book of essays on locative media. Hight holds Masters in Fine Arts (writing, theory, art) from the Critical Studies/Writing program at Cal Arts, and a B.A. in Creative Writing from San Francisco State University. He teaches Visual Communication and English at Los Angeles Mission College.

Referência para citação desta Transcrição de Bate-Papo dos Debates
Leonardo Electronic Almanac (LEAD)
MLA Style
Hight, Jeremy. “Jeremy Hight: LEAD – Transcrições de Bate-Papo A Natureza Selvagem e a Vida Digital”, “Unyazi” Edição Especial, Leonardo Electronic Almanac Vol. 15, No. 1 - 2 (2007). 1 Jan. 2007 <http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/jhightpt.asp>.
APA Style
Hight, J. (Jan. 2007) “Jeremy Hight: LEAD – Transcrições de Bate-Papo A Natureza Selvagem e a Vida Digital”, “Unyazi” Edição Especial, Leonardo Electronic Almanac Vol 15, No. 1 - 2 (2007). Visitado em 1 Jan. 2007 no endereço
<http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/jhightpt.asp>
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