LEAD: A Natureza Selvagem e a Vida Digital
ao vivo com Kathryn Yusoff e Brett Stalbaum
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Também disponível em Inglês.
Ver o ensaio de Kathryn Yusoff: “Mapping the Disaster: Global Prediction and the Medium of ‘Digital Earth” (LEA Vol 14 No 07 - 08 2006)
Ver o ensaio de Brett Stalbaum: “Paradigmatic Performance: Data Flow and Practice in the Wild” (LEA Vol 14 No 07 - 08 2006)
Os "Debates Leonardo Electronic Almanac" (LEAD) acompanham edições especiais selecionadas do LEA. Os LEAD tem dois componentes,uma seção de bate-papo ao vivo com autores e artistas do LEA e um grupo de discussão moderado em que os leitores podem se envolver com os autores da edição especial.
Edição Especial A Natureza Selvagem e a Vida Digital, editada por Dene Grigar e Sue Thomas (http://leoalmanac.org/journal/Vol_14/lea_v14_n07-08/home.asp).
Bate-Papo com Dr. Kathryn Yusoff, pesquisador associado da Open University e Brett Stalbaum, artista sediado em San Diego, discutindo seus respectivos trabalhos com vizualizações da terra, paisagens e ambientes.
Data do Bate-Papo: Quarta-Feira, 3 de Janeiro.
<TRANSCRIÇÃO>
Ryan Griffis: Agradeço a todos por participarem da conversa, especialmente nossos convidados, Brett Stalbaum e Dra. Kathryn Yusoff. Marcus Bastos e eu somos os moderadores voluntaries desta série de discussões sobre temas ligados à edição Digital Wild do Leonardo Electronic Almanac. Estamos ansiosos pela discussão!
Marcus Bastos: Brett, quando li seu ensaio "Paradigmatic Performance: Data Flow and Practice in the Wild, toward the sublime (2K4-2K5)" (http://www.paintersflat.net/rlessay.html), me ocorreu que o trabalho de Robert Smithson (http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Smithson) tem muita relação com um questionamento do conceito tradicional de paisagem. Provavelmente uma das lições possíveis de aprender com a Land Art é que a Paisagem é mais vasta do que o olho é capaz de ver. Mas, hoje em dia, parece haver um retorno ao conceito de paisagem, ou conceitos relacionados como paisagem de dados. Você acha que a tecnologia nos permitiu reformular nosso entendimento da paisagem, ao nos fazer perceber esse cenário mais amplo que não é apenas “visível”?
Brett Stalbaum: Eu tendo a ler a estética da paisagem de Smithson não tanto em termos de tecnologia, e mais como uma luta para superar os termos da representação e do “cubo branco”. Claro que a tecnologia estimulou, até certo ponto, ainda outra reavaliação da “paisagem” — isso vale para Smitshon (grandes máquinas para revolver a terra, carros, aviões...) mas também é válido para os pintores românticos. Eu acho que os trabalhos mais profundos de Smithson e suas questões mais importantes vem mais de seus “não-lugares” que dos grandes trabalhos em escala terrestre.
Kathryn Yusoff: Ao mesmo tempo, a obra de Smithson é interessante por chamar atenção para a forma como os ambientes / paisagens emergem através da tecnologia. É interessante notar que o termo paisagem refere-se etimologicamente à visualidade, ou seja ao espaço concebido como uma cena emoldurada. Esse sentido de ambiente claramente emerge de tecnologias visuais. Dizer que as tecnologias determinam os ambientes não é tão interessante quanto perguntar de que formas as tecnologias e os ambientes se co-desenvolvem. Certamente a obra de Smithson opera neste caminho.
MB: Os pintores românticos estavam tentando captura um cenário que era perceptível pelo corpo humano e Smithson vai além. Não é realmente possível "ver" a Spiral Jetty. Neste sentido acho que ele estava, claro, questionando a representação, mas também re-apresentando a natureza, re-emoldurando ela (ou tirando a moldura).
KY: Acho que Smithson estava tentando forçar até a separação as formas de colaboração que operam entre matéria e linguagens de representação. Neste sentido, as paisagens ficam em segundo plano, e a entropia de lugares como a Spiral Jetty força a questão de como e o que queremos capturar, e o que se dissolve no processo de captura.
RG: Com Smithson, era necessário o auxílio de tecnologia para “ver” (o avião para os trabalhos em escala terrestre e conhecimento geológico para “ler” um sentido não-antropocêntrico de tempo). Uma virada geográfica, ou espacial, tem sido discutida em várias disciplinas ultimamente... e a intersecção com novas formas de mediação definitivamente parece estar em primeiro plano também... algo com que tanto Kathryn e Brett lidam de formas bastante interessantes em suas contribuições para a edição. Eu também acho que o post recente de Roger Malina para a lista se aproxima da noção de “mais amplo do que o olho enxerga” proposta pelo Marcus... algum comentário a esse respeito? Eu sei que a Kathryn já respondeu na lista...
BS: Certo, “paisagem” é apenas uma forma de olhar para a história da quebra dos termos de representação. Romper com a moldura visual em direção ao espaço do cubo branco e então problematizar o cubo branco. Hoje em dia, problematizar a respresentação pós-visual (ou extra-visual) da Terra — com Sistemas de Informação Geográfica, conhecidos pela sigla GIS (http://en.wikipedia.org/wiki/Gis). Eu li o ensaio de Kathryn com muito entusiasmo. Representação de dados opera tanto como visualização de dados quanto como modelagem de dados... Daí, “extra-visual”, e incrustado na operação de sistemas Terrestres de alguma forma. . O ensaio de Kathryn aprimorou meu sentido da amplitude deste relacionamento.
KY: E então as informações operam em tempo real, como fontes de feedback e controle, para manutenção dos ambientes que habitamos. Com sensores meteorológicos, podemos ver isso acontecendo.
RG: Brett – você poderia explicar melhor a distinção entre visualização e modelagem?
MB: Não é uma questão de... perspectiva? (E isso não é um mero jogo de palavras, já que talvez um dos aspectos aqui é como a visualização de dados pode modelar diferentes entendimentos do mundo, diferentes formas de como “vemos” as coisas)
RG: E Kathryn – qual é a diferença entre "manutenção" e "criação" em termos dos “ambientes que habitamos"?
KY: Certamente “manutenção” e “criação” existem em relação, como de Certeau sugere, há uma arquitetura para ambientes e / ou informação; e então há uma forma de articular essas “topografias” através da prática (daí, diferentes modos de criação).
BS: É informação versus dados. Vizualizações são representações com objetivo de transportar informações sobre os dados. Modelagem se refere a como os dados são colhidos e organizados. Kathryn afirma em seu ensaio que essa é uma questão significativa da perspectiva das ciências da terra — porque estamos sempre ajustando o modelo.
RG: E acho que também é útil levar em conta a realidade de diferentes ambientes que existem no mesmo espaço, dependendo de “quem” os habita... como a discussão do desastre, feita por Kathryn, atesta a importância.
BS: E, não é mais uma questão de ver. Essa pode ser a mudanção que é trazida por tecnologias de informação ubíquas, como as GIS.
RG: Bons esclarecimentos/pontos, Brett e Kathryn - obrigado!
BS: Isso pode parecer estranho para artistas — mas a representação não-visual talvez tenha ultrapassado a visual em termos de influência sobre “o que acontece”.
MB: Como? Quais os exemplos disso?
BS: Federal Express, UPS, Walmart.
KY: Isso acontece em modelos de mudança de clima, em que boa parte da informação não é visual (mas talvez atmosférica), e então a visualização é introduzida como uma ferramenta para o entendimento dos dados — mas isso é uma tradução que acontece depois da captura dos dados.
BS: Coisas materiais estão se movendo por meio de fluxos de dados. Não estão necessariamente sendo vistas.
RG: Isso também tem sido discutido em termos de bioinformática, que muda a importância das representações da biologia. O visual se torna uma ferramenta de relações públicas, para um público ainda oticamente estimulado. Mas, por outro lado, eu também fui recentemente a uma conferência sobre análise do clima Pós-Katrina e novos modelos de vizualização... teve muita ênfase na análise de dados numéricos, mas apenas em um dos casos eles foram convertidos em forma de representação. Em outras palavras, eles deixam uma simulação descrever os dados, que então são usados para prever probabilidades. Eu teria que consultar minhas anotações para encontrar o quem/quando/o que desta discussão...
KY: Acho que o trabalho de Peter com o lúdico na máquina é importante para se considerar aqui, onde a a geração de eventos simulados pode reinventar as possibilidades para pensarmos sobre a tradução de dados para representação, ou como concebemos a captura de dados em primeiro lugar. Existe alguma coisa como o lúdico no cerne dos dados?
Peter Hasdell: Meu ponto-de-vista aqui é que isto é o desconhecido ou o lugar onde o selvagem digital ocorre. Eu tento imaginar se isso está conectado com a noção de sublime? Fiquei intrigrado pela discussão sobre o sublime, como aquilo que está além de nossa compreensão racional, eu tento entender de que forma isso pode estar relacionado com conjuntos de dados, metereologia ou fenênomenos complexos e interações. Eu sempre tive uma fascinação perversa pela idéia do “sentimento” da bolsa de valores, que parece ser uma condição emocional anexada à uma condição idenscritível.
KY: Sim, as várias versões do sublime, como o sublime matemático de Kant, com números extremamente confusos.
BS: O Katrina, da forma como aconteceu, foi previsto com bastante precisão em termos espaciais — mas não em termos temporais. Eu não sei sobre o lúdico, mas há certamente uma política não apenas da representação de dados (Manovich coloca isso ao menos em parte, como representações de classe, raça, gênero, etc) mas há também uma questão política sobre que tipo de informação, por e para quem, etc. Tudo muito discutido. O sublime me interessa bastante.
KY: Eu sempre questionei se é possível falar em um tipo de ecologia política do sublime.
RG: Acho que a oBServação de Peter conecta com o post de Roger para a lista, e a localização do “selvagem” ou “natural” no desconhecido (a “matéria negra”, impossível de ver, no exemplo de Roger). Difícil pensar em algo mais sublime que a “matéria negra”, para mim... talvez por isso Gregory Sholette a usou politicamente?
BS: Eu relaciono o sublime kantiano (uma função de quantidade) com dados, e sua noção de beleza (uma função de qualidade ou forma) com informação.
RG: Qualidade e/ou quantidade desconhecida...
KY: Mas então algo coloca este desconhecimento em posição de ataque: para jogar ou para manipulação política ou...
PH: Em resposta à consulta sobre o conjunto de dados feita por Kathryn talvez outro evento historicamente datado na computação foram os primeiros computadores em que os conjuntos de dados eram parte do conjunto de instruções e podiam, portanto, modificá-lo, o que era visto como perigoso (selvagem?) e assim eles foram posteriormente separados.
BS: Eu talvez envie a Roger uma questão relacionada... é de fato uma questão que levantei em meu ensaio. É fácil pensar em performance com dados GIS. Está numa escala mais humana. Como performamos com conjuntos de dados biológicos ou astronômicos é uma questão aberta para mim.
RG: Bom ponto sobre escala — parece um filtro importante a se considerar.
KY: Isso levanta questões sobre quem é capaz de modificar e acessar dados.
BS: Certamente conjuntos de dados sublimes (dados quantificáveis mas muito grandes) é um tema nas ciências da terra, biologia, astronomia/astrofísica, e também vigilância.
KY: Enquanto as mudanças de clima estão localizadas nas ciências da terra, sua compreensão e formas de intervenção dependem de um endosso mais politico desses modelos.
RG: O que me leva a duas citações, uma de Brett, outra de Kathryn que eu acho realmente interessantes e desafiadores de formas próximas, que talvez pudessem ser discutidas...
BS: A questão do acesso aos dados também é uma questão de codificação da linguagem — conjuntos de dados GIS, por exemplo, são notoriamente inescrutáveis. Isso e o copyright são barreiras ao acesso.
RG: Kathryn: "precisamos expandir nosso mapas para escrever no limite de suas configurações possíveis, e tentando nos imaginar naquele espaço impossível, precisamos encontrar as condições de responsabilidade e resposta que o desastre demanda de nós”. Brett: "Até certo ponto, a mediação totalmente incrustada da cultura e da economia material global pela computação e pelas comunicações indica que os artistas deveriam no mínimo prestar atenção, por meio de análise holística, à forma como os efeitos materiais das tecnologias de informação são distribuídos.
RG: De alguma maneira, eu os leio como similares ao questionamento de Alan Sekula por uma leitura dos arquivos “debaixo para cima"
KY: Você poderia esclarecer o que você quer dizer com o conceito de Sekula de "debaixo para cima?"
RG: Ele estava discutindo a história dos arquivos fotográficos e sua função como índices de poder... "de cima para baixo" é como ler “contra o grão” da história...
PH: Conexões de dados com o físico com possibilidade de feeback (ou seja, que podem acessar e portanto mudar localmente e globalmente) vão definir em grande escala o vindouro... paradigma desta condições
MB: Sobre essa questão, acho que é válido oBServar de que forma tecnologias como os telefones celulares, GPS e outros, diferentemente da Internet, estão mais ligados à agendas corporativas.
BS: Drew Hemment fez alguns trabalhos muito interessantes sobre política e o aparato móvel... Essencialmente, que o momento tecnológico destas tecnologias virá dos próprios usários se oferecendo para a vigilância. A mudança de dentro, não sem o sistema. Ou contra elet... a citação de Kathryn chama atenção (para mim) para o potencial do sublime: mapas implicam em mais exploração e mais tipos (diferentes) de mapas sendo produzidos. As tecnologias de informação não podem conter uma cópia 1:1, mas novas descobertas na forma de processar os dados pode implicar em novos ou outros problemas... novos dados para colher, potencialmente sem restrições. Isso é excitante e se artistas levarem a sério o desafio, poderemos nos tornar capazes de estar implicados em toda a diversão que os cientistas vem tendo ao invés de apenas comentá-la.
RG: E possivelmente leva a diversão para direções diferentes?
KS: Com o trecho que você escolhe, eu estava construindo a partir da obra de Blanchot, que sugeriu que em condições de desastre, torna-se necessário pensar sobre como o mapeamento muda, nestes espaços impossíveis do desastre. Então, nos termos do comentário do Brett, os artistas podem certamente abrir novos caminhos sobre as “novas formas de coleta de dados”.
RG: Eu achei o uso de Kathryn dos "limites de suas configurações possíveis" interessante especialmente pela forma como “limites” existem de muitas maneiras. Em certo sentido, trabalhar com limites também é criar um meta-mapa destes limites...
KY: Talvez isso esteja relacionado com a arquitetura que usamos para entender o espaço, e também com a forma como o espaço treina seus usuários. Blanchot sugere que escrever o limite é uma ética utópica necessária. Eu acho que a sugestão de Brett de levarmos a sério as formas de inscrustação é uma parte importante desta ética.
RG: Bom ponto... Brett, você pode falar um pouco sobre essa inscrutação?
BS: Kathryn, você levantou a questão da estética em seu ensaio. Da forma como me lembro, você separa os oBServadores de informação dos que sofrem o desastre. Certo? Você poderia expandir um pouco as questões estéticas em torno dos Sistemas de Informação Geográfica? Isso seria super interessante para mim.
KY: Aqui, eu estava pensando na oBServação do Tsumani a partir de modelos em tempo real de processos dinâmicos da Terra, conforme a água se aproximava e varria as populações ali localizadas. Há uma política das formas e graus de isolação no evento entendido como mídia, e como experiência corporificada. E também na reiteração do evento nas telas ao redor do mundo.
BS: Incrustação se refere (e estou elaborando isso agora, então é meu entendimento) às formas com que as ferramentas que envolvem o conhecimento estão inseridas em nossa cognição distribuída. Seres humanos desempenham tarefas e computação socialmente. É importante que a mais influente destas ferramentas seja, agora, computadores e redes (que mediam, comandam e controlam a maioria dos sistemas). Pessoas que nunca fizeram uma chamada telefônica são mediadas por estes sistemas.
KY: Mas estes sãos os mesmos sistemas que também podem entrar em colapso ou se tornar inacessíveis em desastres. E aí que as condições e possibilidades de resposta são reconhecidas (por Blanchot).
BS: Para mim, existe uma estética passiva do olhar. A visão não é mais ativa, mas passiva. Essa é outra razão porque os dados e a computação digital como performance são mais interessantes hoje que a visualização de conjuntos de dados... os artistas tem feito coisas para as pessoas olharem há muito tempo.
MB: Mas você não acha que a diferença entre as tecnologias de mapeamento, atualmente, é que elas podem ser um espaço de agenciamento coletivo, ao invés da visão de um artista de um grupo de informações, ou o que for?
RG: Parece haver uma questão importante de distribuição de poder a respeito desta distância de oBServação de que Brett fala, e eu acho, sua resposta aponta para Kathryn. Algum de vocês vê mudanças que sejam específicas das tecnologias GIS alargando ou alterando a dinâmica ali? Talvez em relação à pergunta do Marcus...
BS: Certamente, a morte do autor é uma história antiga — George Landow a relacionou com hipertexto, os primóridos da arte em mídia, tudo isso. Certamente a visualização coletiva de dados é um tipo de agenciamento. Wikipedia.
Patrick Lichty: O espaço do desastre é algo com que tivemos que lidar bastante aqui em Louisiana. Há dois tipos de destastre/espaços aqui; um, o que se encontra no meio da crise, e o outro no estado limianal de irrupção, em que o sistema está longe da operação normal que não é mais “estável” ou “instável”. Mas então, o que acontece com espaços sociais e informáticos em termos de espaços como Nova Orleans, ou Phuket? Bem, em Nova Orleans, houve uma crise óbvia, ou rompimento durante os eventos em torno do Katrina. Mas já passou, então, aproximadamente um ano, bem depois que a “crise” tinha terminado. As coisas estão longe do “estável” em Louisiana.
RG: Como “missão completa”. Você poderia elaborar a noção de um sistema que não é estável nem instável?
KY: No entanto, parece que novas formas da chamada estabilidade estão sendo engendradas agora por meio do controle do mercado de propriedades / paisagem urbana, entre outras coisas. É perturbador.
BS: Quanto as tecnologias GIS, sim há alterações na dinâmica de como as pessoas particiapam no espaço — movimentos que expressam agência. Veja os pega-pega com tecnologias geográficas...
PL: Há um estado de caos social, político, econômico que ainda reina aqui.. Ou talvez de maneira mais acurada, um estado de mudança razoavelmente suBStancial que está longe do estável... uma sociabilidade... Por exemplo, a construção demográfica ainda está em estado razoavelmente dinâmico aqui. Grande fluxo de Latinos, e incerteza sobre o retorno ou não da população Afro-Americana, 250.000 pessoas deixaram o estado. Eu gosto da idéia de “abandono organizado”, parece ser um termo acurado para o estado aqui.
RG: O geógrafo Ruth Gilmore usa o termo (a partir de Agamben e outros) "abandono organizado" – acho que se relaciona com a oBServação de Kathryn sobre novas formas de estabilidade...
BS: Inquietante para dizer o mínimo. Eu lembro que Las Vegas estava pronta para aceitar evacuados muito cedo, mas a Agência Federal de Administração de Emergências (FEMA, http://www.fema.gov/) os disse que seus serviços não eram necesários. Ao invés disso, muitos foram enviados para Houston, no Texas. Notoriamente, Nevada é um estado que é grosseiramente dividido politicamente, enquanto o Texas é um “estado vermelho” (1) seguro (apoiadores da administração corrente).
PL: Sem ficar muito “conversador” (eu prometo diminuir a velocaidade em um minuto), o brasão da “morte” também é um antiga figura modernista. Isto é, uma estratégia vanguardista fundamental é atribuir a “morte” do velho, apenas para dar nascimento ao novo ou, depois, ao “pós”, que em si mesmo está bastante cansado.
MB: Para não dizer que a idéia de “pós”-alguma coisa é paradoxal... como algo que está acontecendo agora pode ser póstumo? McLuhan disse que é preciso ficar atento para não olhar o futuro pelo espelho retrovisor e acho que termos como “pós-moderno” de alguma forma fazem extamente isso. Não é paradoxal definir alguma coisa que vem depois do “modernismo”, por exemplo, e invés de nomear essa coisa, afirmar que ela é póstuma ao modernismo?
RG: Interessante Brett, eu não sabia de Nevada...
BS: Tenho certeza de que está mal documentado. Eu ouvi falar sobre isso alguns dias depois do desastre... mas nunca mais depois. O comentária sobre a dimensão política de porque as pessoas não foram enviadas a Nevada são meus, isso não foi reportada, até onde eu sei.
RG: Eu imagino que não!
PL: E claro, Houston queria os refugiados.. Meus parentes (que são do Sul Central do Texas - Shiner, para ser exato) entendem os refugiados como uma “irrupção” diária normativa.
BS: Meu interesse no período (o final dos 60, início dos 70) e todas aquelas “mortes” é inspirado mais e mais pelo retorno da performance (Happenings, e assim por diante) que pela morte da pintura ou qualquer coisa do tipo. Expansão das possibilidades de prática...
PL: Mas de várias maneiras, mesmo com o salon des refusees, a idéia de “morte” é razoavelmente semelhante, mesmo que seu mode e gênero se transforme. Ela ainda representa o estado de mudança, de transcendência de um estado para o próximo. Presumivelmente no sentido de progresso, expansão, possibilidade. Eu prefiro pensar em todas essas coisas como reconfigurações, ao invés de progressões.
BS: Embora, talvez não teolológicas... certo. O que Patrick disse.
PL: De várias formas, o pós-modernismo assegura acréscimo ao invés de transcendência. O problema é que no Pós-Modernismo, o Modernismo ainda existe!
RG: O elo entre o performativo e a adoção de um certo positivismo metodológico (mas reconfigurado e problematizado) é interessante aqui... como no trabalho do Brett com o C5 (http://www.c5corp.com/) e, claro, no de outros como Trevor Paglen (http://www.paglen.com/), o CLUI (Centro para Uso e Interpretação da Terra, http://www.clui.org/), Multiplicity (http:// www.multiplicity.it/), etc... em vários sentidos são continuações de projetos como o NE Thing Co (http://www.ccca.ca/artists/artist_info.html?languagePref=en&link_id=1843) e outros dos 60/70... mas em vários outros sentidos diferente.
PL: Ou Rtmark (http://www.rtmark.com/)?
RG: Claro, RTmark!
PL: Não tenho certeza se o Yes Men se qualifica, já que eles (no âmbito do grupo) não usam a estrutura burocrática como metodologia, eles trabalham de maneira parasitária a partir de estruturas prontas que servem como alavanca para suas intervenções.
BS: Nosso slogan no C5 – "Teoria como produto", de fato é uma descrição bastante fiel do que fazemos, e eu posso ver isso refletido na afirmação de Ryan. Nós desenvolvemos teoria que informa tantos as tecnologias quantos as performances que produzidos, e elas em troca informam novas teorias. O C5 é, de muitas formas, uma máquina para fazer as coisas avançarem de forma a problematizar e criar novos problemas para teorizar e resolver.
MB: Talvez o trabalho de David Grassi... é um pouco como o Yes Mens, mas ele criou uma corporação falsa.
RG: Mas talvez a distinção entre alguém como o C5 e Trevor Paglen e CLUI é sua participação efetiva em discursos especializados (turismo, geografia, etc) sem ironia e paródia. Eles produzem conhecimento através destes e com estes discursos... como Brett
sugeriu antes, é trabalhar “de dentro”... (ou estou citando errado?)
PL: E o Critical Art Ensemble (http://www.critical-art.net/), mas o que eu considero especialmente interessante é o uso de várias estruturas burocráticas legítimas, então usadas num contexto crítico.
BS: Isso é jsuto, com exceção de uma coisa. O C5 não é irônico, nem uma corporação falsa.
PL: O RTMark era irônico, mas também era uma corporação bastante real.
BS: Ah, eu li errado, C5, CLUI, Trevor, são tdoso não-irônicos.
PL: Eu diria que neste contexto, C5 e CLUI são alguns dos melhores no gênero (não-irônico).
RG: Totalmente.
BS: E Rtmark e Yes Men os melhores do irônico e simultaneamente bastante sérios.
RG: Claro que onde essas linhas se cruzam surge um ótimo espaço desfocado.
MB: Talvez o Institute for Applied Autonomy (http:// www.appliedautonomy.com/) seja um exemplo desfocado?
PL: ABSolutamente.
RG: Exemplo perfeito! Eu acho que todas essas pessoas/projetos mencionados são ótimas em vários sentidos. Pelo menos em termos de uma perspectiva crítica que não é simples, por definição.
PL: SubRosa também, mas eu acho que o ponto aqui está em que este interventores estão usando estruturas burocráticas legais como ferramentas críticas. A questão é esta quando se fala de sujeitos como IAA e outros.
RG: SubRosa também claro... e eles adotam posturas burocráticas ocasionalmente...
PL: Você chega em grupos que estão operando com burocracias “implícitas” ao invés de “explícitas”. Se apoiando no uso de estruturas formais legais como ferramentas críticas em oposição ao uso de estruturas implícitas.
MB: Mas é, possivelmente, difícil separar “forma” e “conteúdo” nestas questões. Quero dizer, às vezes trabalhar “de dentro” destas estruturas pode ser um problema!
RG: Bons pontos Patrick e Marcus...
<fim da transcriçãot>
(1) Nos Estados Unidos, o partido Republicano é representado pela cor vermelha, e o Democrata pelo azul. Assim, ao contrário do que se poderia supor, ao dizer que o Texta é um estado “vermelho”, o que se observa é seu notório conservadorismo.
Biografia dos Autores
Dra. Kathryn Yusoff é Pesquisadora Associada em nível de Pós-Doutorado, na Open University. Seus interesses de pesquisa centram-se em repensar a cultura visual em relação à ambientes extremos e tecnologias de visualização (particularmente na Antártica, Islândia e outras regiões frias). Ela completou recentemente seu doutorado, “Visões Arrebatadoras: Uma Teoria Geográfica da Luz Antártica no Royal Holloway, Universidade de Londres (2004). Atualmente ela é curadora do Interdependence Day, um projeto de pesquisa e comunicação para mapeamento dos terrenos éticos da globalização e mudança ambiental.
Brett Stalbaum é um artista especializado em teoria da informação, bancos-de-dados, e desenvolvimento de software. Colaborador em série, ele foi co-fundador do Electronic Disturbance Theater, em 1998, para o qual desenvolveu um software chamado FloodNet, que foi usado em favor do movimento Zapatista contra os sites dos Presidentes do México e dos Estados Unidos e do Pentágono. Trabalhos recentes incluem Painters Flat, projetos com Paula Poole na Grande Bacia (EUA), e projetos em desenvolvimento com o C5 Corporation, de que ele é membro fundador. Stalbaum é mestre em Computação Aplicada às Artes pelo laboratório de mídia digital CADRE, na Universidade Estadual de San Jose, e bacharel em Cinema pela Universidade Estadual de San Francisco. Ele é palestrante e cordenador da Graduação Interdisciplinar em Computação de Arte (ICAM), na Universidade da California em San Diego.

Referência para citação desta Transcrição de Bate-Papo dos Debates
Leonardo Electronic Almanac (LEAD)
MLA Style
Stalbaum, Brett and Yusoff, Kathryn. “Brett Stalbaum and Kathryn Yusoff: LEAD - Wild Nature and Digital Life Chat Transcripts” “Unyazi” Special Issue, Leonardo Electronic Almanac Vol. 15, No. 1 - 2 (2007). 1 Jan. 2007 <http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/bstalbaumkyusoffpt.asp>.
APA Style
Stalbaum, B and Yusoff, K. (Jan. 2007) “Brett Stalbaum and Kathryn Yusoff: LEAD - Wild Nature and Digital Life Chat Transcripts,” “Unyazi” Special Issue, Leonardo Electronic Almanac Vol 15, No. 1 - 2 (2007). Retrieved 1 Jan. 2007 from <http://leoalmanac.org/resources/lead/digiwild/bstalbaumkyusoffpt.asp>.
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